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Brincar um ótimo remédio!

O brincar deve ser explorado porque é uma das formas de expressão mais genuínas da criança, o meio pelo qual ela expressa seu pensamento, uma vez que a linguagem verbal ainda não está suficientemente desenvolvida para esse fim. De um modo amplo, o brincar vem sendo associado à infância, uma vez que, em geral, essa etapa da vida humana, pelo menos em termos ideais, encontra-se fortemente vinculada aos aspectos lúdicos.

Brincar com uma criança é uma forma de demonstrar amor por ela e de reforçar laços afetivos, acrescentando valor à brincadeira; explorar e dominar o mundo externo e dominar naturais ansiedades infantis; e viver simbolicamente suas fantasias.

Precisamos compreender que as crianças brincam por prazer, para exprimir a agressividade, para dominar a angústia, para aumentar sua experiência e para estabelecer contatos sociais. O brinquedo contribui, assim, para a unificação e a integração da personalidade e permite à criança entrar em comunicação com as outras. Assim, o ato de brincar é uma preparação para a vida.

O bom brinquedo é aquele que convida a criança a brincar, seja porque responde às necessidades da etapa de desenvolvimento na qual ela se encontra, ou por atender a algum apelo emocional, possibilitando a associação do imaginário ao real.

Discutir a atividade lúdica e o processo terapêutico nos mostra a complexidade que se cria ao associarmos esses dois temas, haja vista que a atividade lúdica é uma das condições essenciais para o desenvolvimento humano e o processo terapêutico é uma forma de instrumentalização das atividades humanas em beneficio do bem-estar e da saúde das pessoas. O terapeuta pode apresentar-se à criança como alguém capaz de tornar disponível o uso de materiais mediadores, com os quais ele mesmo mantém um vínculo amorosamente criativo e como alguém capaz de facilitar o desenvolvimento emocional.

O recurso lúdico, neste contexto, não deve ser apenas um incentivo à diversão e entretenimento, mas a uma alternativa educacional e terapêutica. A atividade envolve o nível cognitivo, emocional, sensório-motor e intuitivo do funcionamento humano, podendo ativá-los mutuamente, tornando o brinquedo instrumento de exploração e desenvolvimento.

Ressalta-se que cada criança possui um padrão próprio de desenvolvimento, visto que suas características inerentes sofrem a influência do meio ambiente. E, é um processo contínuo que se modifica nos primeiros anos de vida, à medida que a criança lida com as tarefas de manipulação e locomoção, e caracterizado nos anos seguintes pela estabilização destes padrões. Até os dois anos de idade é o período em que existe maior número de aquisições por parte da criança, desenvolvem-se as ações intencionais, onde a criança repete movimentos que causaram alguma ação e, se observarmos as pistas que ela nos dá, poderemos criar uma interação muito gratificante.

Nesta fase, também, a criança inicia a preensão voluntária e aperfeiçoa a pinça polegar-indicador, chegando a pegar pequenos objetos com os dedos. Consegue imitar sons e gestos podendo surgir as primeiras palavras.

Através do brincar, a criança aprende sobre o mundo, esboça suas tentativas de domínio e controle deste mesmo mundo e do que lhe parece assustador, temerário e conflitante; da mesma forma que se encontra com seus desejos e anseios, estimula o contínuo e adequado desenvolvimento neuropsicomotor e faz prevenção da saúde mental. A experiência emocional infantil é a base da maturidade emocional e da saúde mental do adulto.

O uso da representação simbólica vai surgir como um passo significativo da vida cultural, sendo as formas preliminares de comunicação um importante caminho para atingi-lo. O desenvolvimento da fala acontece espontaneamente, a partir das experiências de comunicação que a criança experimenta no seu meio social.

Brinquedos correspondentes à fase sensória-motora

0 a 4 MESES
  • Face humana.
  • Móbile colorido.
  • Argola de borracha para morder.
  • Chocalho.
  • Esconde-esconde: a pessoa ou objeto deve reaparecer sempre no mesmo local; a criança esconde objetos deixando uma parte para fora; coloca tecido furado no rosto.
  • Brinca com o próprio corpo e com objetos de seu campo visual.
  • Brinca com a roupa, puxa.
  • Brinca com as mãos, apalpa-as; cobre a face com suas roupas.
  • 4 a 8 MESES
  • Chocalho.
  • Chocalho musical.
  • Bichinho de borracha/látex com apito.
  • Móbile que ao ser tocado produz ação.
  • Bola transparente com água e pequenos objetos dentro.
  • Objetos para a criança pegar e levar à boca.
  • Objetos que possam ser batidos um contra o outro.
  • Objetos embrulhados para a criança desembrulhar.
  • Amassar papel para o bebê olhar.
  • Pegar coisas que o bebê joga no chão.
  • Brincar com os pés.
  • No espelho: sorri e vocaliza, brinca com a própria imagem.
  • 8 a 12 MESES
  • Móbile que ao ser tocado produz ação.
  • Morde os brinquedos; procura atingir os que estão fora do seu alcance.
  • Brinquedos aquáticos.
  • Cubos de espuma ou papelão revestidos com figuras.
  • Caixas de sapato com tampa.
  • Objetos que possam ser encaixados uns nos outros.
  • Bola de tecido.
  • Bexiga: ver o adulto encher e esvaziar lenta e rapidamente.
  • Imitar gestos.
  • Esconde-esconde: esconder sempre no mesmo local e deixar a criança procurar.
  • Brinquedos que se movem.
  • Dá o brinquedo para o examinador, mas não larga.
  • Tenta pegar a bola refletida no espelho.
  • Dá a bola, faz gestos de atirá-la; joga com pequeno impulso para o examinador.
  • Fonte: PIERRE e KUDO, 1990; DIAMENT e CYPEL, 1990; CUNHA, 2000; MEYERHOF, 2001.

    Daniela Elaine Campos dos Santos é formada em fisioterapia pelas Faculdades Integradas de Guarulhos. Especialista em fisioterapia motora (neurologia adulto e infantil) e ortopedia pelos Métodos Bobath (adulto e infantil); Kabath (ou PNF); RPG/RMA; Pilates; Isso Stretching; Self Heling, entre Outros. Pós-graduada em acupuntura pelo Ceata e Stritu Senso (Mestre) em Distúrbio do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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