Dican Brinquedos
Dican Brinquedos

Capa

 

Pintando o sete

Pode não parecer, mas as crianças têm uma relação saudável com as tintas, lápis de cores e gizes de cera, ainda mais se têm liberdade para criar sua própria arte.

Você dá ao seu filho essa oportunidade? Se não, é bom repensar essa decisão, afinal, essa experiência artística pode ajudá-lo, e muito, em seu desenvolvimento!

Bagunça do bem

Muitos pais evitam que os pequenos brinquem com tintas, lápis de cor, giz de cera ou massinha de modelar, pois surtam só com a ideia de imaginar a bagunça que isso vai causar. Como diria um comercial de sabão em pó “se sujar faz bem”, e você nem imagina o quanto!

De acordo com a arte-educadora Marilia Oliveira da Silva Klein Albers, do Colégio Dom Bosco de Curitiba, “ao praticar a arte com grande variedade de materiais, a criança exercita a relação com elementos que garantem a aproximação de seu
universo. Assim, enquanto se opera um conhecimento cognitivo, também se processa um aprofundamento sensível e afetivo”.

Além disso, essa brincadeira “artística” oferece uma série de benefícios à criança. A arte-educadora explica que “uma atividade livre, sem direcionamento de conteúdo e forma, é facilitadora para a criança expressar, por meio de sua produção, a leitura que faz do mundo que a cerca e de si própria”. Outro benefício da brincadeira com tintas, gizes de cera e lápis de cor é a construção da autoestima do pequeno, uma vez que pode ousar em sua produção, que poderá ser compartilhada e apreciada de modo autêntico, fazendo-a adquirir confiança em si mesma.

“A vivência de atividades artísticas tem demonstrado, também, que a criança passa a relacionar-se melhor com as pessoas e a procurar resolver de modo natural e criativo os pequenos obstáculos do dia a dia”, ressalta Marilia Oliveira da Silva Klein Albers.

Vai começar a brincadeira

Como vimos, a criança precisa ser introduzida a esse mundo de cores e formas. E esse é um papel que cabe aos pais.

Mas vá com calma, nada de exageros nessa hora. A arte-educadora comenta que incluir a prática de atividades artísticas na rotina do pequeno deve acontecer de maneira tranquila e natural.

O que é realmente importante é os pais atentarem-se ao tipo de material de trabalho e a idade da criança de forma que essa atividade não se transforme num problema. “Inicialmente, atente-se para itens relacionados à segurança: verificar tamanhos, pontas e condições de toxidade de tintas, lápis e massinhas. Além disso, o local onde a criança vai brincar deve ter mobiliário adequado à sua idade, bem como ser arejado, bem iluminado; e, de forma alguma, deve haver problemas de sujeira, mofo, umidade, especialmente em atividade que o pequenino vai realizar no chão”, acrescenta Marilia Oliveira da Silva Klein Albers.

Um fator importante é que o espaço de “arte” do seu filhote permita limpeza fácil. Mas se por alguma razão você não tem móveis assim, pode envolvê-los com forros plásticos.

Lembre-se sempre de optar por materiais de boa qualidade quando preparar o “ateliê” do baixinho. Afinal, isso “é importante para o bom resultado final, porque a criança gosta de produção bonita. Além disso, ela precisa realizar bem
seu trabalho, evitando materiais que se quebrem ou não apresentem textura e maleabilidade adequadas à idade”, afirma a arte-educadora.

Uma cuca cheia de imaginação

Se você deseja que seu baixinho seja criativo e tenha uma cuca legal, então não deve esperar mais para ajudá-lo a desenvolver isso. Basta dar a ele a possibilidade de descobrir o mundo das cores e formas!

“Criatividade e imaginação são dois elementos indissociáveis nas práticas artísticas. As atividades de arte com a criança possibilitam, além da liberdade criativa, a aquisição de habilidades que contribuem para que ela forme atitudes, se expresse, adquira liberdade de ação, prontidão para a alfabetização e integração ao meio social. Desse modo, não devem ser desprezadas em nenhuma fase de desenvolvimento humano. Em países de alto desempenho educacional, por exemplo, a disciplina de artes é introduzida no primeiro momento da criança na escola e se mantém no currículo até os cursos avançados de formação acadêmica, como na pós-graduação, considerando a importância da produção artística para o desenvolvimento do indivíduo equilibrado, saudável, criativo e produtivo”, explica a arte-educadora.

A regra é não ter regras!

Questionamos a arte-educadora sobre como essas atividades artísticas devem ser colocadas para o baixinho, ou seja, livremente ou com direcionamento, seja dos pais ou dos professores.

Marilia Oliveira da Silva Klein Albers informa que “em casa, essas atividades não devem ter direcionamento. A criança precisa ficar livre para criar. Cabe à escola o ensino formal da arte, por meio do educador habilitado que promove oportunidades para a criança vivenciar variada gama de experiências com materiais e técnicas”.

O fato é que a experimentação de materiais e técnicas deve ser aliada à leitura de obras de arte nas diversas linguagens – pintura, escultura, gravura, fotografia etc., claro que, aos poucos, de acordo com a idade do pequeno. Dessa forma, o pequenino aumenta seu repertório de imagens e conhecimentos artísticos.

É brincando que se aprende

Cabe aos adultos proporem ao baixinho atividades artísticas de modo a estimular seu desenvolvimento.

A arte-educadora comenta que a pintura com tinta é uma das mais ricas, pois a criança pinta livremente aplicando todas as cores, da maneira que preferir.

Assim, uma dica é os pais sugerirem a seus filhos a pintura de uma cor apenas, um desenho em preto e branco, com o uso de pincel, escova de dente, hastes flexíveis, espuma ou o dedinho. Certamente, eles vão adorar.

“Como suporte da pintura indicamos papel, madeira, papelão, tecido... A sugestão de temas vai de animais, flores do jardim da vovó, natureza em geral, a brinquedos e brincadeiras preferidos... Conforme avança o entendimento, inclui-se a confecção de cartão de felicitações, quadros, aventais, enfim, qualquer coisa que se transforme em pequeno presente para familiares e amigos próximos”, ensina Marilia Oliveira da Silva Klein Albers.

Entretanto, se houver possibilidade, os pais também podem sugerir que seu anjinho pinte uma parede, faixa de muro ou piso. “Trata-se de uma atividade excelente para o desenvolvimento da coordenação motora ampla, visto que a criança pode trabalhar em diferentes posições: em pé, de joelhos, de cócoras...”

O trabalho com massinha exercita a coordenação motora fina e insere a criança na tridimensionalidade. As menores modelam bolinhas e cobrinhas; as maiores criam monstros, objetos variados. Sendo assim, uma atividade interessante na fase de alfabetização é sugerir que a criança modele as letras e ordene o próprio nome ou os de pessoas e objetos conhecidos.

Sem limites

“O que geralmente acontece é que muitos pais evitam brincadeiras com tintas, gizes e lápis de cor para evitar a “sujeira” e a “confusão”, sem saber que isso pode limitar a criatividade e o desenvolvimento da criança. Afinal, essa é fase em que ela deve experimentar de tudo!”

A arte-educadora lembra que a infância é um momento único, ou seja, é quando o ser humano absorve conhecimentos com rapidez impressionante. É a fase de formação do caráter. Cabe aos pais participar ativamente desse processo relativamente breve.

Sendo assim, “a ‘confusão’ com as tintas, por exemplo, é uma oportunidade para os pais educarem o filho, com carinho e firmeza, sobre a importância da ordem, valor que ele leva para a vida toda, no trabalho e na família. A questão, portanto, não é eliminar a oportunidade, mas usá-la para educar. A criança assim aprende com prazer e, ao mesmo tempo, assimila normas de convívio social. Isso se espera dela quando entra na escola. O que serve à boa convivência em casa servirá também à vida escolar. É válido a criança aprender antes com a família que tudo tem começo, meio e fim; que a ordem e a finalização dos trabalhos são imprescindíveis desde cedo”, finaliza Marilia Oliveira da Silva Klein Albers.

Marilia Oliveira da Silva Klein Albers é arte-educadora, professora de arte de educação infantil e ensino fundamental no Colégio Dom Bosco, de Curitiba (PR).

 
comente (0) | Bookmark and Share compartilhe | envie para um amigo
COMENTÁRIO


Rua Henrique Ongari, 322 - Cep 05037-150 - São Paulo - SP – Brasil - Tel (5511) 3611.8080/Fax (5511)3611.8001
Copyright © 2009 DICAN - Todos os direitos reservados. All rights reserved.