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A princípio essa exploração do universo à sua volta acontece a partir do seu corpo, das sensações, das habilidades motoras e de suas percepções e, por tudo isso, há um predomínio de ações práticas. Pega objetos, arremessa-os coloca na boca, morde, mexe em tudo, empurra, puxa, apalpa, amassa etc. E é nessa experimentação que a criança de 1 a 2 anos passa a conhecer e aprender sobre o mundo e tudo o que dele faz parte.
É a fase da inteligência prática. Como tudo é novo, a criança está absorvendo muitas informações ao mesmo tempo e um simples barulho, movimento ou estímulo já atrai a atenção da criança. Em vista disso, muda constantemente de atividade e seu tempo de concentração é curto.
A criança de 1 a 2 anos tem um pensamento egocêntrico, ou seja, ela ainda não consegue considerar o ponto de vista do outro. Ela age em função dos seus desejos e para ela, o que sente é o que o outro “deverá sentir” também. Assim, dividir um objeto, brinquedo e até mesmo a atenção do adulto ainda é um desafio. É comum, além de não dividir o que é seu, ainda deseja o que está com o outro.
No entanto, nesta fase a criança já interage e aceita a companhia de outras crianças em suas brincadeiras. Mesmo dividindo um espaço comum, ela não costuma dividir a mesma brincadeira ou conversa. É a fase que chamamos de “monólogos coletivos”, na qual as crianças dividem o mesmo espaço e conversam, mas cada um com seu assunto e brincadeira.
Como sua noção temporal ainda está em desenvolvimento, busca a satisfação imediata dos seus desejos. Ainda não aceita prorrogá-los e insiste em realizá-los naquele momento, mesmo que isso traga uma birra ou desgaste.
Por ter essa inteligência prática, as crianças compreendem mais os sentimentos e as ações do que palavras. Os adultos, principalmente os pais, são referências e elas estão sempre atentas ao seu comportamento, feições, ações e comportamentos. Procuram imitar o que veem e por esse motivo é fundamental que os adultos que a rodeiam ofereçam sempre bons exemplos.
Aliás, nessa fase a criança adora imitar comportamento dos adultos, seja no modo de sentar, nos gestos, nas manias e ações que realiza como ler, comer, falar, agir etc. Ainda é bastante dependente do adulto e tem sempre algo familiar por perto que lhe traz segurança. É comum nessa fase a criança apegar-se a um objeto, brinquedo, manta, paninho, chupeta... O conhecido traz sempre segurança, seja um objeto, uma pessoa ou ambiente.
A separação, principalmente da figura materna, ainda é difícil. Para a criança dessa idade, o que está fora do seu campo de visão não existe, então ela precisa certificar-se do retorno da mãe. Choros são bastante comuns diante dessas separações, ou quando a criança vê alguém saindo de casa ou do espaço no qual se encontra.
Já começa a buscar certa autonomia. Sente-se orgulhosa por conseguir realizar algumas ações sozinha, seja beber em um copo, comer com a colher, colocar um chinelo etc., mesmo que derrube o alimento ou troque os pés do calçado. Ela ainda está aprendendo sobre a reação dos objetos às suas ações, mas com o tempo vai aprender a controlar o quanto vira a colher para não derrubar o alimento etc.
É uma fase muito importante na qual a criança vai estruturando a noção do EU, que reflete sua identidade pessoal e autoconceito. Ela começa a se perceber como um ser independente, com vontades e desejos próprios, diferenciando-se dos objetos e dos indivíduos a sua volta. Para facilitar todo esse aprendizado e conhecimento da criança, é muito importante que ela tenha uma rotina estruturada.
Ainda está aprendendo a conhecer e lidar com seus sentimentos. Felicidade, tristeza, ansiedade, frustração, amor, tudo se mistura e oscila em cada momento. É muito importante que o adulto ajude-a nomeando esses sentimentos e expondo modos apropriados para que ela aprenda a agir quando sentir cada um deles. As birras são comuns nesta fase e o adulto deve sempre ter uma postura consistente em relação ao comportamento da criança.
Uma importante conquista da criança de 1 a 2 anos é o início do desenvolvimento da linguagem. Dos balbucios às primeiras palavras “decodificáveis” e até frases.
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